Envelhecimento do rosto: entenda por que a face perde sustentação

Envelhecimento do rosto: por que a face parece “derreter” com o tempo?

Não são apenas as rugas. A perda de volume e contorno facial está ligada a mudanças profundas nos ossos e na gordura.

Você se olha no espelho e a imagem parece diferente, mas não se trata de uma nova ruga ou linha de expressão. O contorno do seu rosto mudou, as bochechas não parecem tão proeminentes e a linha da mandíbula já não é tão definida. Essa percepção, muitas vezes descrita como um “derretimento” da face, é real e vai muito além da pele.

A perda de volume estrutural, como o de ossos e gordura, é um fator chave. Essa diminuição rompe os contornos suaves da juventude, fazendo com que o rosto adquira um aspecto mais “plano” e com sombras. É importante notar que o envelhecimento facial é um processo complexo que vai além da pele e dos músculos, envolvendo também alterações estruturais profundas. 

Por isso, terapias focadas apenas em exercícios faciais podem não ser suficientes, sendo muitas vezes necessária a combinação com procedimentos dermatológicos para abordar todas as camadas.

O que realmente acontece quando o rosto envelhece?

Para entender o envelhecimento facial, é preciso pensar no rosto como uma estrutura de múltiplas camadas. O que vemos na superfície é o resultado do que acontece em níveis mais profundos, desde os ossos até a pele.

A pele: a camada mais visível

Esta é a mudança mais conhecida. Com o passar dos anos, a produção de colágeno e elastina, proteínas que dão firmeza e elasticidade, diminui. De acordo com estudos publicados em periódicos de dermatologia, essa redução contribui para o surgimento de rugas, linhas finas e uma textura mais irregular. 

Pesquisas indicam que a idade avançada está diretamente ligada à diminuição da elasticidade da pele, à menor produção de sebo (oleosidade natural) e à perda de brilho. Consequentemente, a pele também se torna significativamente mais sensível.

Os compartimentos de gordura: os coxins que perdemos

Sob a pele, temos compartimentos de gordura que funcionam como “almofadas”, preenchendo áreas como as maçãs do rosto e a região temporal. O envelhecimento causa a atrofia e o deslocamento desses coxins. Eles diminuem de volume e deslizam para baixo pela ação da gravidade, acentuando sulcos como o nasogeniano, conhecido popularmente como “bigode chinês”.

A estrutura óssea: o alicerce que se modifica

A base de tudo, o esqueleto facial, também se altera. O processo de reabsorção óssea faz com que certas áreas do rosto percam volume. A órbita ocular pode alargar-se, fazendo os olhos parecerem mais fundos. 

O osso da mandíbula e do queixo também pode diminuir, resultando em menor sustentação para os tecidos da parte inferior do rosto e contribuindo para a formação do “buldogue” (jowl). 

De fato, estudos mostram que o envelhecimento facial tem um componente estrutural significativo, começando com a remodelação óssea já entre os 20 e 29 anos. Essa remodelação pode levar ao achatamento da parte média do rosto e da linha do maxilar, reduzindo o suporte para os tecidos moles.

Quais são os principais sinais do envelhecimento estrutural do rosto?

Identificar os sinais de envelhecimento estrutural ajuda a compreender o que está acontecendo além da superfície da pele. Essas mudanças são graduais e se tornam mais evidentes a partir dos 35 a 40 anos.

Sinal VisívelCausa Estrutural Provável
Olhos com aspecto fundo e olheiras acentuadasAlargamento da órbita óssea e perda do coxim de gordura infraorbital.
Maçãs do rosto menos proeminentes (“rosto achatado”)Perda de volume do osso malar e atrofia dos compartimentos de gordura da bochecha.
Acentuação do “bigode chinês” (sulco nasogeniano)Queda da gordura malar e perda de sustentação óssea na região central da face.
Linhas de marionete e canto da boca caídoPerda de volume ósseo no queixo e mandíbula, somada à flacidez dos tecidos.
Perda da definição do contorno da mandíbula (“jowl”)Reabsorção óssea da mandíbula e deslocamento dos compartimentos de gordura inferiores.

Que fatores aceleram essas mudanças na face?

O ritmo do envelhecimento facial é influenciado por uma combinação de fatores internos, que não podemos mudar, e externos, que estão sob nosso controle.

Fatores intrínsecos: o que não podemos controlar

A genética é o principal fator intrínseco. Ela determina a qualidade da nossa pele e a anatomia do nosso esqueleto facial, influenciando quão rápido e de que forma envelheceremos. Além disso, alterações hormonais, como a queda de estrogênio durante a menopausa, aceleram a perda de colágeno e a reabsorção óssea.

Fatores extrínsecos: onde nossas escolhas fazem a diferença

Aqui, nossas ações têm um peso significativo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para os seguintes aceleradores do envelhecimento:

  • Exposição solar sem proteção – a radiação UV é a principal causa do fotoenvelhecimento, degradando o colágeno e causando manchas.
  • Tabagismo o cigarro diminui o fluxo sanguíneo para a pele e gera radicais livres que danificam as células.
  • Alimentação inadequada – uma dieta pobre em antioxidantes e rica em açúcar pode acelerar a degradação das estruturas da pele.
  • Estresse crônico e sono de má qualidade – ambos os fatores desregulam hormônios e aumentam a inflamação sistêmica, impactando a saúde da pele.

Como é possível gerenciar o envelhecimento do rosto de forma saudável?

Embora seja um processo natural, o envelhecimento pode ser gerenciado de forma a preservar a saúde e a harmonia facial. A abordagem mais eficaz é multifatorial e sempre deve ser orientada por um profissional.

A primeira linha de defesa é um estilo de vida saudável e uma rotina de cuidados com a pele consistente, incluindo o uso diário de protetor solar de amplo espectro e hidratantes que fortalecem a barreira cutânea.

Quando a perda de volume e a flacidez se instalam, existem procedimentos que podem ser discutidos com um dermatologista ou cirurgião plástico. Tecnologias como ultrassom microfocado, bioestimuladores de colágeno e preenchedores com ácido hialurônico são opções que atuam em diferentes camadas para restaurar a estrutura e o volume perdidos.

O mais importante é buscar uma avaliação individualizada. Um especialista poderá diagnosticar as causas das suas queixas e traçar um plano de tratamento que respeite suas características e objetivos, visando resultados naturais e a promoção da saúde da sua pele em longo prazo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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